Meebo Bar

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cartas

Entre as miúdas e trêmulas letras que formavam infantis palavras eu conseguia enxergar meu passado. O tempo me trazia como presente uma nostalgia. Era engraçado perceber o processo de crescimento mental de uma pessoa. Tratava-se da minha filha, que divinamente herdou os dotes poéticos da mãe, e desde muito miúda, na verdade, desde que aprendeu a ler e escrever, pegava um pequeno caderno rosa e transmitia-o todos os seus pensamentos, através de sua pomposa caneta da Hello Kitty. De início as frases eram quase imperceptíveis, com as linhas uma em cima das outras.
Essas páginas cor-de-rosa me traziam memórias do meu passado porque eu era exatamente da mesma maneira quando pequena, mas, ao contrário da minha pequena Amy, não tive nenhum tipo de incentivo. Quando minha mãe encontrava meus segredos traspassados em letras, tratava logo de amassá-los e jogá-los no lixo, junto com meus sonhos.
Queria ter tido a vida que dei a Amy, mas sempre fui grata pela oportunidade de ser diferente da minha mãe.
Desculpa pelo papel estar seco, amor. É que escrevo isto chorando, e penso que até essa folha chegar a você o papel já não estará da mesma maneira. E se as lágrimas borrarem alguma coisa peço-te que não me ligues para esclarecimento. O motivo é que já não posso ouvir sua voz. Você sabe o que me lembra. Também não me escreva, nem me leve a mal por pedir-te isso.
Amo você, amo suas palavras.
Simplesmente não consigo acreditar que ela se foi...

Um comentário:

  1. Perfeito amiga... T.T
    morrendo de saudades suas, e dos seus poemas, e dos seus momentos de leitura... enfim, saudades da Biah^^
    Amo-te, sempre!!!
    Bjus,
    Ju =D

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