Meebo Bar

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Artificial

Se fechar os olhos e me concentrar bem ainda consigo lembrar da sensação de sair com o carro numa tarde ensolarada e sentir o vento transpassar meus dedos do lado de fora da janela. A pista não estava assim tão cheia de carros, e até mesmo parecia que todos sentiam aquela paz, porque andavam - inexplicavelmente - na velocidade permitida.
Como não era preciso prestar tanta atenção ao trânsito, dava pra olhar os ipês floridos de várias cores cantarem que a primavera tinha chegado. O Sol era um pouco perturbador, mas ligar o ar condicionado, tinha certeza, faria tudo parecer artificial.
Lembro de desejar que tudo ficasse naquele estado, que a pista não acabasse com aquela paisagem, durante muito, muito tempo. Ficaria ali com a mão no volante a olhar pela janela. Talvez para sempre. Mas a pista acabou juntamente com tudo que estava ao seu redor, e as pessoas voltaram a ser obsessivas e aceleradas.
São mais que dez horas e mais que um oceano que me separa desse passado. É mais que o dinheiro, mais que a saudade, mais que amigos e familiares.
Sou eu.

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