Ventava asperamente lá fora. O porteiro de camisa azul já devia ter alguma noção que seus ossos não eram os mesmos de trinta anos atrás, então preferiu não me acompanhar ao telhado. Melhor pra ele.
Dobrei perfeitamente o macacão do lado de uma antena gigantesca. As ferramentas da minha cintura pesavam demasiado para continuar junto ao corpo. Juntei-as com a roupa. Não estava nu, claro! Tinha calçado os all-stars pretos que ganhei de uma amiga cerca de oito anos antes. Comprei uns Jeans e uma camisa vermelha apenas para aquele momento e os usava por baixo da roupa cinzenta. Não acredito muito em cartas, nem gosto de escrever, por isso escrevi apenas "porque eu quis" em verde num contraste com o vermelho do tecido da camisa.
Não era verdade. Não ia ser só porque eu queria. Mas isso não importa.
O drama que algumas pessoas fazem me faz confusão. Então simplesmente posicionei-me numa das pontas do asfalto branco. Apreciei a vista. A última. E pulei.
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